quinta-feira, 14 de julho de 2011

TUDO NESSA VIDA TEM UM FIM

O Chutando Pedrinhas foi meu grande companheiro por muito tempo. Nele, derramei minha visão de mundo, meus medos, minhas alegrias e minhas filosofias. Através dele fiz grandes amigos e conheci pessoas que contribuíram para que eu me tornasse o que sou hoje. Eu só tenho a agradecer por esse espaço tão amado.

Hoje, me despeço oficialmente desse espaço. Como dizem os Los Hermanos: "todo carnaval tem seu fim" e este é o fim do Chutando Pedrinhas. Deixarei o blog ativo, ad eternum (se for possível). Foi através dele que aspirei, um dia, ser escritora. E foi através dele que comecei a dar realidade para o meu sonho.

A todos que me acompanham no Chutando Pedrinhas, peço que continuem me dando o prazer da companhia no Humanizando a Existência. Foi um grande prazer trocar tantas experiências com vocês.

Até!


segunda-feira, 30 de maio de 2011

O QUE TENHO APRENDIDO COM A MATURIDADE - E COM AS "LAMBADAS" QUE A VIDA SEMPRE ME DÁ

"O que se aprende na maturidade não são coisas simples, como adquirir habilidades e informações. Aprende-se a não voltar a ter condutas autodestrutivas, a não desperdiçar energia por conta da ansiedade. Descobre-se como dominar as tensões e que o ressentimento e a autocomiseração são duas das drogas mais tóxicas. Aprende-se que o mundo adora o talento, mas recompensa o caráter. Entende-se que quase todas as pessoas não estão a nosso favor nem contra nós, mas absortas em si mesmas. Aprende-se, finalmente, que, por maior que seja nosso empenho em agradar aos demais, sempre haverá pessoas que não nos amam. Trata-se de uma dura lição no início, mas que no fim se mostra muito tranquilizadora." 

John W. Gardner - “Renovação Pessoal”

segunda-feira, 9 de maio de 2011

RECEITA PARA FAZER DA DOR, ESPETÁCULO

100 g de autopiedade
200 g de necessidade de aceitação
50 g de questões mal resolvidas
1 pitada de criatividade
2 xícaras de drama
2 colheres de meias verdades
1 colher de sentimentalismo barato
1 colher de fermento biológico
Choro a gosto.

A base do Espetáculo é a necessidade de aceitação. Junte-a, então, à autopiedade, ao sentimentalismo barato e às questões mal resolvidas. Amasse bem todos os ingredientes até que formem uma massa homogênea e única. Acrescente o fermento e amasse por mais alguns minutos. Utilize um pano de sufoco para cobrir a massa sentimental e espere por 2 horas (tempo suficiente para que ela dobre de tamanho).

Em uma panela à parte, prepare a calda do Espetáculo. Leve ao fogo as meias verdades (caso não encontre meias verdades, substitua pelas suas verdades), o drama e a criatividade, salpicando com choro, a gosto. Misture bem e, quando ferver, desligue o fogo e reserve.

Leve a massa sentimental para assar em forno brando por 1 hora. Após esse período, verifique sua maciez e, caso esteja no ponto de corte, desligue o fogo e espere até que a massa fique morna para só então desenformá-la.

Cubra a massa sentimental com a calda dissimulada e decore com alguns gritinhos de filosofia barata.

Sirva na sua melhor travessa, de preferência aos olhos de uma platéia faminta e alienada.

Bom apetite!

A CLASSE MÉDIA EM MÚSICA

segunda-feira, 21 de março de 2011

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

É SÓ MAIS UM DESABAFO QUE TOMOU 30 MINUTOS DO MEU APERTADO DIA DE 12 HORAS.

Eu sei que é clichê, mas não deixa de ser fato: eu não tenho tempo para nada. E eu sei que essa constatação já faz parte de, sei lá, muito mais da metade da humanidade. Uns 70%? 80%? Sei lá, só sei que euzinha, com toda a minha sagacidade mental, não tenho tempo pra fazer o que considero básico: dormir, tomar café da manhã com frutas, suco, geléia, torrada, pão e café preto, namorar, passar todos os cremes que me ajudarão a chegar aos 40 com uma aparência digna, escrever, jantar em casa, brincar com os bichanos, nadar, correr, trabalhar, estudar e, finalmente, ler ou assistir a algum filme – diariamente.

Isso é o básico. Só o básico. Não é muita coisa. Mas não. Eu não tenho tempo. E por mais que eu tente, que acorde as 6 horas da madrugada e também vá dormir já na madrugada, eu continuo não tendo todo o tempo que queria ter. Ou pelo menos fazer o mínimo das coisas que me dão prazer, e que me ajudam a sobreviver. Se acordo às 6h, e fui dormir tarde, me arrasto durante o dia e tudo fica muito mais take it easy do que realmente deve ser. Se vou dormir cedo, não tenho tempo de fazer muita coisa depois da carta de alforria das 18h.

Daí eu entro num blog super legal, de uma moça super arretada, soteropolitana (pra quem fala que baiano é gente lerda...) e fico abismada: em 2010 ela leu 22 livros e assistiu a 133 filmes. Mas o pior de tudo ainda está por vir: ela faz duas faculdades, freela como jornalista para alguns veículos, escreve todos os dias (sim, todos os dias!) em todos os seus blogs, tira fotografias como hobby, toma café com amigos, vai ao cinema com o namorado, decora a casa, escreve um livro, vai à manicure e à liquidações e ainda tem tempo de ligar pra polícia pra denunciar o vizinho que bate na mulher – diariamente. Essa desgraçada não dorme! No máximo tira um cochilo de 2 horas – por semana.

Péssimo isso. Será que o problema está comigo? Eu só queria que meu dia tivesse umas 36 horas e eu pudesse fazer TODAS as minhas coisas no MEU tempo. Hehe. Será que é pedir muito, agora que trabalho a menos de 20 minutos de casa?

Odeio essa garota soteropolitana e agora odeio todas as pessoas que (nhé-nhé-nhé) tem tempo pra fazer tudo, todos os dias. E ainda por cima fazem check-in na merda do Foursquare 387 vezes, nos 387 lugares que conseguiram estar no mesmo dia, só pra esnobar os estabanados do tempo. Entre os estabanados, eu. Hunf.


p.s.: pra acabar com a minha reputação, a tal "dona do tempo" também mora em São Paulo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

EXISTEM RAZÕES PARA SE ACREDITAR EM UM MUNDO MELHOR

Para cada tanque fabricado no mundo, fabricam 131 mil ursos de pelúcia.
Para cada bolsa de valores que despenca, há 10 versões de “What a Wonderful World”.
Para cada corrupto, há 8 mil doadores de sangue.
Para cada muro construído, há 200 mil tapetes de bem-vindo.
Enquanto um cientista projeta uma nova arma, 1 milhão de mães estão fazendo bolos de chocolate.
No mundo imprimem mais dinheiro de Monopoly (Banco Imobiliário) do que dólares.
Há mais vídeos divertidos na internet do que más notícias em todo o mundo.
No Google, amor tem mais resultados do que medo.
Para cada pessimista, há 100 casais buscando um filho.
Para cada arma vendida no mundo, 20 mil pessoas compartilham uma coca-cola.
Existem razões para acreditar em um mundo melhor.

domingo, 26 de dezembro de 2010

SUPERLATIVOS

2010 foi um ano superlativo: o ano dos anos, pra ficar bem fácil de entender. Começou tímido, com cara de que seria como todos os outros, mas depois se revelou. Confesso que no comecinho torci para que ele não trouxesse consigo as tão temidas mudanças – cansaço mesmo. Pois bem... como a vida nem sempre se apresenta da forma como desejamos, acontece de a gente, de repente, ficar assim, com cara de pateta depois que ela se apresenta da forma que bem lhe convém.

Mudanças (muitas), com direito a alguns percalços que contribuíram e muito para o meu crescimento, foi o mote principal deste que foi o ano das coisas boas.

Mudança de profissão, com um plus de mudança de trabalho. Mudança de relacionamento e depois de estado civil. Mudança de terapeuta e de terapia. Mudanças em casa. Mudança de ares.

Conheci novas pessoas e novas cidades. Agora, tenho novos afetos, novos amores, novos irmãos. Me apaixonei por uma pessoa incrível (S2) e depois descobri, com uma felicidade imensa, que o amor pode ser muito maior e melhor do que a gente sempre supõe.

Com meu amor, construí uma família, que inclui duas gatas lindas, amorosas e companheiras, e que se tornou meu porto seguro. E essa é mais uma mudança que nunca havia passado pela minha cabeça: ter uma família, ser uma família. (pois é).

2010 foi um ano para se escrever no caderninho : ele deu o que falar. 2010 foi um ano de felicidades, um ano de amores, um ano de renovação. 2010 foi, definitivamente, o meu ano.

E eu, que nem queria tantas mudanças assim, agradeço por todas elas – sem exceção.

Feliz 2011 pra nós! E que ele traga quantas mudanças forem necessárias para fazer a nossa vida muito mais feliz e próspera do que já é.  =D

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

UMA INVOLUÇÃO CHAMADA DEMOCRACIA BRASILEIRA

Essa eleição, ou circo para quem achar mais conveniente a denominação, é uma afronta e uma violação dos direitos mínimos de qualquer cidadão.

Em uma ponta encontra-se a candidata do governo, Dilma Roussef, que no passado comeu o pão que o diabo amassou, mas que agora, entre outras barbaridades eleitorais, comprometeu-se a escrever uma carta aberta ao povo de Deus onde vai assumir o compromisso de não legislar sobre matérias como a descriminalização do aborto e a união de casais gays.

Na outra ponta está o banana José Serra, que provavelmente é ateu (assim como Dilma Roussef), mas em prol de ganhar uma eleição se abstém de falar sobre qualquer um dos assuntos. Patético, covarde, filho da puta e desgraçado.

E nós, os idiotas brasileiros, cidadãos dignos que levam suas vidas da melhor maneira possível, ficamos no meio dessa bandalheira, dessa imundície, dessa desgraceira que chamam de democracia brasileira. Estou indignada.

Para completar a baderna, esses desgraçados cristãos – sim, para mim são todos desgraçados, no sentido de não terem graça alguma – com essa crença medíocre e tacanha, estão nos levando a uma involução sem tamanho. Enquanto países desenvolvidos, cujo povo tem o costume de ler livros que realmente ensinam alguma coisa (e não essa merda de Bíblia Sagrada da puta que pariu) estão cada vez mais próximos de uma verdadeira igualdade de direitos, nós, o tupiniquins eternamente colonos (e burros), ficamos aqui, à mercê da vontade destes crentes cretinos, enrustidos, mal amados e carentes.

Enquanto formos massa de manobra, enquanto nossa população não tiver o mínimo de educação e cultura, enquanto filhos continuarem nascendo sem pai (para quem não sabe, mais da metade da população brasileira tem apenas mãe em sua Certidão de Nascimento), enfim, enquanto continuarmos com esse pensamento retrógrado, paternalista, machista e extremamente conservador, seremos essa merda de país que se exalta por ter riqueza natural, mas que perde, e feio, em riqueza de espírito.

É O FIM!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

SOBRE POESIA, ROMANCE, ESCRITA E VIDA

Espaços vazios em papéis que antes eram adornados com letras, palavras, sentenças e frases inteiras, que até podiam vir sem ponto final ou de interrogação ou de exclamação ou mesmo sem pontuação alguma nem mesmo uma vírgula para dar o respiro necessário e possibilitar que o leitor não leia tudo de um gole só e perca o fôlego e a graça em ler, mas que queriam dizer alguma coisa, indicam não uma falta de assunto, ou a inspiração que escorrega para a beirada do penhasco e fica perigando cair e se perder naquela infinita queda – não, antes disso: espaços vazios indicam um abandono do seu próprio eu.

Escritores nadam em águas turvas, vivem experiências em seus mundos imaginários, cantam mentalmente, rodopiam pela estratosfera e presenciam o nascimento do azul do céu sem nem tirar os pés do chão. Escritores, assim como poetas, fingem tão completamente que chegam a fingir que é dor a dor que deveras sentem.

Escritores, daqueles que acordam e dormem com seus próprios eus, respiram aliviados, mesmo que atormentados. E nem os tormentos de uma cabeça prestes a esculpir um prêmio Nobel de literatura serão capazes de tirar a paz de estar em paz com ele mesmo. É a escrita, portanto, uma das salvações, dentre muitas, que nos permite dar sempre um passo à frente, mesmo quando a vida diz não.

Mas estar em falta com seu próprio eu, no caso de nós, escritores, não significa sofrer de uma vida ingrata ou injusta. Não não. Estar em falta com seu próprio eu pode significar um abandono temporário de elucubrações, histórias, romances, dramas e comédias que acontecem diuturnamente em nossas cabeças, para ir até ali ir viver a vida boa que muitas vezes está à nossa espera, bastando dobrar a esquina.

Um casamento, duas novas gatas, planos, viagens, romance, trabalho, paixão, amor, sexo, filmes, livros... tudo isso que tinha presença garantida por aqui, através da escrita, agora faz parte do meu lar, da minha própria vida. E como meu trabalho é escrever para a publicidade, não anda me sobrando tempo para, de vez em quando, dar as caras por aqui e escrever para as "trivialidades".

Um dia, quem sabe, a novidade passa. E eu, retorno. Enquanto isso, vou vivendo a vida que me cabe e que eu mereço. E, apesar de parecer o contrário, isso também é motivo para se respirar aliviada.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

AI QUE DOR

Quem disse que ter crise renal é de todo ruim?
Um dia inteirinho na cama, em casa, é melhor que só ter dor, né?

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

FICA-A-DICA


Com o tempo, aprendi a desconfiar – e a manter distância – de pessoas que necessitam de uma dose diária de autoafirmação. Dessas, que são muitas, guardo distância não porque sou melhor – longe disso, mas simplesmente porque (geralmente) elas se autoafirmam tentando desqualificar o outro.

Diante disso, paira no ar uma dúvida cruel: enaltecer suas próprias características é, por fim, uma tentativa insana de tentar acreditar que verdadeiramente as possui?

Reflexão...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A FORÇA DE UM CABELO

Ao contrário de Sansão, é quando "perco" os cabelos que me fortaleço. De cabelos encaracoladinhos e curtos, eis-me novamente. Ufa, achei que tivesse perdido minha identidade!

Eu voltei.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

MEUS VOOS ENSAIADOS


Talvez que o anjo esquecido,
O anjo da poesia,
Se tenha de mim perdido
Sem reparar que o fazia...
Por isso me faltam asas
E me sobejam as penas
De um desejo inalcançado:
Que eu gostava de voar
Até ao anjo perdido
O anjo de mim esquecido,
Que por mim é tão lembrado.
Ai se eu tivesse voado
Aonde queria voar
Não estava agora a rimar
Versos de asas cortadas.
Voava junto de si
Assim fico aonde me vê
Mesmo pregadinha ao chão
Com asas de papelão
E sem entender porquê.
Pois a uns faltam-lhe asas
Mas por ter asas cortadas
Sofrem uns e outros não?
Eu tenho sofrido muito
Nos meus voos ensaiados
Que ao querer sair do chão
Ficam-me os pés agarrados,
...E por falar dos pés
Com versos de pés quebrados
Perdoe lá a quem os fez
Pelo mal dos meus pecados
Só os fiz por timidez
Que tenho em me dirigir
A quem tem por lucidez
Razão para distinguir
O bom e o mau Português.
Assim à minha maneira
Aqui venho responder
Desta forma tão ligeira
Que a sério não pode ser!


de Amália Rodrigues, Carta a Vitorino Nemésio


in Versos, Ed. Cotovia

sexta-feira, 30 de julho de 2010

ESTAVA PERGUNTADO: EU SOU NEGUINHA?

SOU!!!




EU SOU NEGUINHA?
(Caetano Veloso)


Eu tava encostad'ali minha guitarra
No quadrado branco vídeo papelão
Eu era o enigma, uma interrogação
Olha que coisa mais que coisa à toa, boa boa boa boa boa
Eu tava com graça...
Tava por acaso ali, não era nada
Bunda de mulata, muque de peão
Tava em Madureira, tava na bahia
No Beaubourg no Bronx, no Brás e eu e eu e eu e eu
A me perguntar: Eu sou neguinha?
Era uma mensagem lia uma mensagem
Parece bobagem mas não era não
Eu não decifrava, eu não conseguia
Mas aquilo ia e eu ia e eu ia e eu ia e eu ia e eu ia
Eu me perguntava: era um gesto hippie, um desenho estranho
Homens trabalhando, pare, contramão
E era uma alegria, era uma esperança
E era dança e dança ou não ou não ou não ou não ou não tava perguntando:
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?
Eu tava rezando ali completamente
Um crente, uma lente, era uma visão
Totalmente terceiro sexo totalmente terceiro mundo terceiro milênio carne nua nua nua nua nua nua nua
Era tão gozado
Era um trio elétrico, era fantasia
Escola de samba na televisão
Cruz no fim do túnel, becos sem saída
E eu era a saída, melodia, meio-dia dia dia
Era o que dizia: Eu sou neguinha?
Mas via outras coisas: via o moço forte
E a mulher macia den'da escuridão
Via o que é visível, via o que não via
O que a poesia e a profecia não vêem mas vêem, vêem, vêem, vêem, vêem,
É o que parecia
Que as coisas conversam coisas surpreendentes
Fatalmente erram, acham solução
E que o mesmo signo que eu tenho ler e ser
É apenas um possível ou impossível em mim em mim em mil em mil em mil
E a pergunta vinha:
Eu sou neguinha?
Eu sou neguinha?